
O Nariz – Uma Perda Inusitada
24/06/2011Por Florence Manoel
O conto O Nariz, publicado em 1836 por Nicolau Gogol, um dos grandes expoentes do realismo fantástico russo, relata a absurda desventura do major Kovaliok que, ao despertar em uma certa manhã, percebe que lhe falta algo: o nariz sumiu de seu rosto!
Como se não bastasse o incomôdo de amanhecer sem uma parte da face, o oficial encontra seu próprio nariz desfilando pelas ruas de São Petersburgo, visitando pessoas. O orgão emancipado ainda traja um uniforme de conselheiro do Estado e carrega uma espada. Indignado e surpreso, o major tenta abordar o nariz fujão que o despista e desaparece.
Desolado, ele cria várias situações inusitadas: tenta anunciar sua busca em um jornal – e é impelido a deixar de fazê-lo; admite que seria mais fácil perder um braço ou uma perna, cuja falta lhe traria menor desconforto social e passa a crer que foi enfeitiçado por uma certa senhora Podtotchim , que, em vão, tentara oficializar uma união entre o major e sua filha.
O audacioso nariz também causa angústias ao barbeiro Ivan Yakovlétvitch, que o encontra no meio do pão e é acusado pela esposa de trabalhar embriagado e machucar um cliente. Prascovi Ossipovna diz ao marido que ele deve se livrar da evidência de seu crime (!), mas ele tem dificuldade em fazê-lo, uma vez que encontra um conhecido seu a cada tentativa.
Existe uma crítica do escritor russo às crendices da época, à burocracia e ao universo movido pelas aparências e conveniências, entretanto, as insinuações são inquietantes e divertidas, elaboradas de maneira completamente inovadora.
